Depois da publicação de Vozes e Ruídos. Diálogos com Adolescentes o Professor Daniel Sampaio volta ao contacto com o público, agora com Inventem-se Novos Pais. Desta vez o diálogo é com os pais. Sobretudo para lhes chamar a atenção para os filhos. Os adolescentes têm que ser ouvidos, têm de ser entendidos pelos pais através dos sinais que emitem. Com este livro, o Professor Daniel Sampaio ajuda os pais a interpretar esses sinais, a elaborar a resposta certa. Para que o diálogo se mantenha, e, com o diálogo, a possibilidade de uma relação saudável entre pais e filhos. Inventem-se Novos Pais é, em suma, um livro indispensável para todos quantos querem levar a cabo com êxito a difícil tarefa da paternidade.
De Pernas para o Ar fala de um mundo onde o racismo, a impunidade e a prepotência são valores a perpetuar. Neste mundo o ser-se solidário, justo e lúcido é um pecado capital que é necessário aniquilar. Os vencedores, o exemplo a seguir, não têm deveres e os vencidos, o exemplo a rejeitar, não têm direitos. Este é o mundo em que vivemos, tanto os do Norte como os do Sul, os ricos e os pobres, os opressores e os oprimidos. Mas o autor, num dizer veloz, irónico e acutilante, acredita que é possível e urgente construir um mundo diferente, escrever uma nova história.
Mayer Guinzburg deixou em criança a Rússia, em 1916, e rumou com a família, numa atribulada viagem de navio, para o Brasil. Como tantos outros judeus, a família Guinzburg procurava noutro país uma nova vida, longe de perseguições e dos terríveis pogroms de que eram permanentemente alvo. Mas ao contrário dos restantes familiares e dos amigos, Mayer criou para si uma existência muito própria; cada vez mais distante dos outros, à medida que vai crescendo, pleno de ideais revolucionários, encerra-se num mundo irreal e obsessivo, e torna-se no Capitão Birobidjan, personagem quixotesca, possuidora de sonhos mágicos, de um louco humanismo, pregador incansável de uma sociedade melhor, ser solitário espalhando incessantemente as suas utopias, vivendo-as com uma imensa esperança perante a crua indiferença que o rodeia, e líder de uma comunidade igualmente utópica, a Nova Birobidjan. A narrativa ágil e precisa de Scliar, estruturada em saltos no tempo (ora estamos em 1970, ora em 1944, 46, 16, 35 29...), envolve-nos numa atmosfera fantástica, e o seu humor tão refinado quanto amargo nesta ficção espreita-nos e surpreende-nos a cada palavra, a cada linha, enredando-nos numa teia de que não apetece sair.
Um dia, leitor, hei-de contar as ânsias e tormentos com que se vai martelando esta artesania da escrita, em que ainda sobrevive a mão do caldeireiro ou, talvez, do fazedor de autómatos, e explicar como é desolador chegar ao nascer da roxa aurora e ao rumor dos primeiros autocarros apenas com duas ou três páginas sofrivelmente apontadas. Só este trabalho de minuciosa lavra, em traiçoeira brenha, não contando com o resto, havia de ser, não principescamente, não regiamente, mas imperialmente pago.
«De todos os cantos da prisão chegaram vultos que se sentaram, silenciosos, à volta do irmão a morrer. Um moço tirou seu velho casaco de fardo e cobriu com ele o peito pisado e rebentado do tractorista. Só a cara estava agora descoberta, banhada na luz da lua entrando na janela. O velho bêbado continuou a choramingar no seu canto. A lua espreitava nas frinchas, nas janelas altas, e veio cobrir na cara serena e tranquila de Domingos Xavier. O sangue foi correndo, noite fora, cada vez com mais devagar, respiração cada vez mais fraca, a cara esmagada virando naquela cor esbranquiçada da morte. O moço que estava espreitar atrás de várias cabeças arriscou mesmo baixinho: - Aiuê! Parece é, tá dormir ainda... Verdade mesmo, Domingos Xavier dormia para os seus irmãos, feliz em sua morte, de madrugada, com a luz da lua da sua terra a sair embora para contar depois, todas as noites, a história de Domingos Xavier.»
Domingos António Xavier, o tractorista, nunca fizera mal a ninguém. Só queria o bem do seu povo e da sua terra. E por lhes querer bem não falou os assuntos do seu povo nem se vendeu. E por lhes querer bem o mataram. E por isso, no dia da sua morte, ele começou a sua vida de verdade no coração do povo angolano.
O autor refere-se neste livro a como a alimentação de hoje perturba o equilíbrio entre meio ambiente e humanos, e como ela é transtornada pela desculturação da sociedade de consumo. Também nele se fala da teoria que fundamenta, e dos truques que possibilitam, a recriação fácil de uma nova prática alimentar agradável, sadia e respeitadora do ambiente.