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DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL
 

Comemora-se no próximo dia 2 de Abril o Dia Internacional do Livro Infantil, iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), realizada anualmente desde 1967. O patrocinador de 2006 é a secção nacional do IBBY da Eslováquia.
Difusão em Portugal: APPLIJ – secção portuguesa do IBBY

O destino dos Livros está escrito nas estrelas
Ján Uliciansky

Os adultos perguntam com frequência o que acontecerá aos livros quando as crianças deixam de os ler.
Talvez esta seja uma resposta:
"Nós carregá-los-emos todos em enormes naves espaciais e enviá-los-emos para as estrelas!"
Uau...!
Os livros são realmente como estrelas num céu nocturno. Há tantos, não podem ser contados e frequentemente estão tão longe de nós que não ousamos procurá-los. Mas imaginem só como ficaria escuro se um dia todos os livros, esses cometas no nosso universo cerebral, partissem e cessassem de fornecer essa energia ilimitada da imaginação e do conhecimento humanos...
Valha-nos Deus!
Vocês dizem que as crianças não podem compreender uma ficção científica como esta?! Muito bem, eu viajarei para a terra e permitir-me-ei recordar os livros da minha própria infância. De qualquer maneira, isto é o que me veio à mente quando eu estava a olhar para a Ursa Maior, a constelação a que nós, Eslovacos, chamamos "Grande Carroça", porque os meus livros mais preciosos me chegaram numa carroça... Isto é, não chegaram inicialmente a mim, mas à minha mãe. Foi durante a guerra.
Um dia, estava ela à beira da estrada quando passou chocalhando uma carroça - uma carroça de feno atulhada de livros e puxada por uma parelha de cavalos. O condutor disse à minha mãe que estava a transportar os livros da biblioteca da cidade para um lugar seguro, para impedir que fossem destruídos.
Nesse tempo a minha mãe era ainda uma menina pequena, ansiosa por ler, e à vista daquele mar de livros os olhos dela iluminaram-se como estrelas. Até então só tinha visto carroças cheias de feno, palha ou talvez estrume. Para ela uma carroça cheia de livros era como algo saído de um conto de fadas. Arranjou coragem para pedir:
"Por favor, não poderia dar-me ao menos um livro dessa grande pilha?"
O homem sorriu, assentiu, saltou da carroça abaixo, desatou um dos lados e disse: "Podes levar para casa todos os que caírem no caminho!"
Alguns volumes caíram ruidosamente na estrada poeirenta, e pouco depois aquela estranha carroça já tinha desaparecido numa curva da estrada. A minha mãe apanhou os livros, com o coração a bater furiosamente de excitação. Depois de lhes limpar o pó, verificou que entre eles, perfeitamente por acaso, havia uma edição completa dos contos de Hans Christian Andersen. Nos cinco volumes de várias cores não existia uma única ilustração, mas aqueles livros iluminaram milagrosamente as noites que a minha mãe tanto temia. Isso acontecia porque durante aquela guerra ela tinha perdido a sua própria mãe. Quando lia aqueles contos ao serão, cada um deles era para ela um pequeno raio de esperança, e com uma imagem tranquila no coração, pintada com pestanas meio fechadas, podia adormecer sossegadamente, pelo menos durante um bocado...
Os anos sucederam-se e aqueles livros passaram para mim. Eu levo-os sempre comigo pelas poeirentas estradas da minha vida. De que poeira é que eu falo, perguntam vocês?
Ah!
Talvez eu estivesse a pensar na poeira de estrelas que se instala nos nossos olhos quando nos sentamos numa cadeira a ler numa noite escura. Isto é, se estivermos a ler um livro. No fim de contas, nós podemos ler todo o tipo de coisas. Uma face humana, as linhas da palma de uma mão, e as estrelas...
As estrelas são livros num céu nocturno e iluminam a escuridão.
Sempre que eu duvido se vale a pena escrever mais um livro, contemplo o céu e digo para mim próprio que o universo é realmente infinito e que ainda deve haver lugar para a minha pequena estrelinha.

Ján Uliciansky nasceu em 1955 em Bratislava. Tendo estudado dramaturgia, é autor de peças de teatro e contista, tendo sido director do Teatro de Marionetas de Košice e trabalhando actualmente como dramaturgo na rádio eslovaca. Diversas vezes premiados, os seus livros para crianças parecem buscar uma nova coerência na relação entre a lógica infantil e a lógica adulta. Humor, paródia, aventura são aspectos recorrentes na sua escrita, que explora de modo criativo o ludismo verbal. Dos seus livros destacam-se As Ilhas dos Bonecos de Neve (1990), Temos a Ema (1993), Histórias Extraordinárias dos Sete Mares (2003) e Um Rapaz Mágico (2005).

Versão portuguesa: José António Gomes
Autor do cartaz: Peter Cisárik


Sugestões da Editorial Caminho para o Dia Internacional do Livro Infantil




Música Para Olhar Instrumentos Musicais, de Maria Luísa Amado e Isabel Monteiro

Música para Olhar relaciona música com pintura e é dedicado principalmente ao público infanto-juvenil. Poderá interessar também os adultos que lidam directamente com as crianças, em particular pais, educadores, professores, animadores e profissionais dos serviços educativos de museus e de autarquias.




A Machadinha e a Menina Tonta e o Cordão Dourado, de Alice Vieira com ilustrações de Bela Silva

Tonta, tonta a menina que chora com medo
do que possivelmente nunca há-de acontecer:
e se a machadinha cai e mata o menino?

E será que se deve trabalhar bem e gostar das
pessoas pensando apenas na recompensa que
no final virá? Os cordões dourados terão assim
tanta importância?

Leiam e descubram.




O Gato Karl, de Francisco Duarte Mangas com ilustrações de Manuela Bacelar

Karl tem um caderninho cor de fogo, uma palavra de ordem e um sonho.
No caderninho escreve palavras que rouba dos livros; o sonho partilha-o com os outros gatos, debaixo da magnólia branca.
Espalhar os sonhos, por vezes, é uma aventura imprevisível.


A Família dos Macacos, de Rita Taborda Duarte e Luís Henriques

Era uma vez uma família, um pai, uma mãe e dois filhotes que por mais que os pais lhes pedissem, só faziam tropelias e passavam o tempo aos pinotes.




O Sam e o Som - Sam and Sound, de Ana Saldanha, Basil Deane e Gémeo Luís

Atrás duma porta fechada à chave escondia-se um túnel com os sons e as sombras que Sam imaginava. Quando o professor de música abriu a porta, Sam e os outros meninos descobriram as formas dessas sombras que os incomodavam. No meio de vários instrumentos musicais, Sam conheceu o violoncelo. Abraçou-o como se fosse a sua mãe e partiu à descoberta dos sonhos.

Edição bilingue



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