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DIA MUNDIAL DA POESIA

21 de Março - Dia Mundial da Poesia

O Dia Mundial da Poesia foi proclamado pela UNESCO na sua 30.ª sessão, realizada em Paris nos meses de Outubro-Novembro de 1999.
Das deliberações tomadas ressaltam as seguintes linhas orientadoras:

i) introduzir a poesia como parte integrante da educação artística no ensino;
ii) despertar nas escolas a consciência da importância de celebrar o Dia Mundial da Poesia, de forma interdisciplinar;

iii) encorajar a atribuição de prémios de poesia;
iv) mobilizar as autoridades competentes para que contribuam activamente na preparação e celebração desta data;
v) promover a criação de uma rede de prémios em cada Estado-Membro;
vi) elaborar uma lista de instituições ligadas à Poesia nos diferentes Estados-Membro.

A Editorial Caminho associa-se a esta comemoração, oferecendo-lhe um poema do livro Migrações do Fogo, de Manuel Gusmão, e algumas sugestões:

Havia séculos
e eram florestas sobre florestas escritas.
O canto cantava: era o incêndio do vento

folheando a memória da terra

essa maranha de raízes aéreas que nasciam enterrando
mais fundo as árvores anteriores;
essa teia nocturna de troncos e lianas, de ramos e folhas,
nervuras que os versos enervam irrespiráveis;
esse mapa em relevo lavrado pela paciência da luz
que atrasando-se recorta
estas estranhas esculturas do tempo:
os poemas selvagens

o máximo excesso de uma rosa aquática e frágil
sempre a nascer desfiladeiros
e falésias, fendas, quebradas, ravinas
vulcões que deflagram em écrans sucessivos

Havia séculos
e o cinema dos astros
acendia ampolas e bagas, campânulas, cápsulas, lâmpadas;
punha em música a infinita noite dos versos que longamente
escutam
aqueles que muito antes ou muito depois vieram ou virão
até estes anfiteatros que os desertos invadem.

Havia séculos
e / atravessando as ruínas dessa terra quente, as páginas
de água dessa rosa alucinada / havia esse:
o comum de nós que dos seus se dividindo, verso
a verso, procura ainda alguém. E assim
era de novo o início.

A grande migração das imagens — havia séculos —
desde há muito começara, desde sempre, já.
E sem cessar migrávamos nós, inquietos e perdidos

sem paz e sem lei, sem amos nem destino.

(Migrações do Fogo, Editorial Caminho, Lisboa, 2004)


Sugestões:

  

Migrações do Fogo, de Manuel Gusmão

Poesia, de Sophia de Mello Breyner Andresen

Descanso na Fuga Para o Egipto, de Paulo Teixeira

  

Os Aromas Essenciais, de Guita Jr.

Manual Para Amantes Desesperados, de Paula Tavares

Raiz de Orvalho e Outros Poemas, de Mia Couto

 

Os Livros dos Outros, de Vergílio Alberto Vieira (Infantil-juvenil)

A Flor Vai Ver o Mar, de Alves Redol (Infantil-juvenil)

 


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