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LIVROS

O Gorro Vermelho
Ana Saldanha

O Gorro Vermelho
A mãe da Sofia não quer que ela atravesse o parque para ir levar o jantar à avó. Mas a Sofia está com pressa. E que mal é que tem o parque? Ela já é crescida, já tem treze anos, vai pelo parque, pois claro.

 
Género(s): Infantil-Juvenil
Acabamento: brochado
Dimensão: 13,5x21 cm
Páginas: 96
Peso: 102 g
Colecção: «Era Uma Vez... Outra Vez», n.º 2
Código: 100.002
ISBN: 972-21-1514-6
1.ª edição: Novembro 2002
Preço: 7,35 €


Índice de conteúdos

 1.  Só bons amigos
 2.  Alegria das casas
 3.  Palavras para quê?
 4.  Inocências
 5.  Romeus e julietas
 6.  O cesto de Marrocos
 7.  Inocências turísticas
 8.  O gorro vermelho
 9.  Pelo parque não
10.  Pelo parque sim
11.  Fósseis
12.  Uivos
13.  Dança pesadona
14.  A floresta da inocência


Excerto da obra

      «A Sofia e o Joel são só bons amigos.
      Toda a gente sabe — e acredita, mesmo quando o Joel passa um braço pelos ombros largos da Sofia e a beija nos lábios.
      Como agora, neste fim de tarde de quinta-feira, à saída do centro desportivo.
      — Meu amor! — diz ele.
      — Querido! Há quanto tempo! Mm, mm.
      A Sofia solta-se do abraço e o Joel sacode a franja loira da testa e olha para ela.
      Ela está com calças de sarja verde-caqui, largas, e uma T-shirt cinzenta com um texto escrito a vermelho, de que só se vê a parte central: love e, por baixo, and every story. O resto do texto está escondido pelo blusão de ganga.
      — Sereia — diz o Joel, olhando-lhe para o cabelo molhado —, vens das ondas da piscina?
      Tenta tirar-lhe o gorro vermelho, que desponta do bolso do blusão, mas a Sofia esquiva-se e encosta-se ao muro do centro desportivo, ao lado da Susana. Encolhe os ombros.
      — Claro — diz. — Tu já sabes. Todos os dias.
      — Não sei por que perguntas — diz a Susana. — Não sei por que é que ele pergunta — repete para a Mimi, que sai nesse momento do centro desportivo.
      Ela sorri.
      — A Sofia — diz — treina todos os dias. Toda a gente sabe.
      — E tu, borboleta — pergunta a Sofia — vens de saltitar de flor em flor, lá nas tuas danças?
      O Joel e a Mimi respondem ao mesmo tempo:
      — Venho.
      E a Mimi acrescenta:
      — A professora, hoje, mandou o Joel praticar os passos à parte, para não nos fazer rir.
      — Eu?! — o Joel revira os olhos, estende as palmas das mãos. — Diz lá, Mimi, o que é que eu estava a fazer?
      — Estavas a contar anedotas.
      O Joel abana a cabeça.
      — Um homem vai ao médico — conta ele — e diz: "Senhor doutor, ando com a impressão de que ninguém me liga." Diz o médico: "O doente seguinte, faz favor."
      A Sofia ri, de boca aberta e a acenar com a cabeça para cima e para baixo. Quando a vê a rir assim, a mãe diz-lhe sempre que parece o cão cinzento de pelúcia que o vizinho do rés do chão tem na parte de trás do seu Ford Capri. [...]»

(Ana Saldanha, O Gorro Vermelho, pp. 9-11)



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