Excerto da obra Sonhei. era terna a cidade da agonia.
em tons de azul equilibrava-se sobre mim, viajante.
as ruelas sombrias suspiravam. eram os gatos, os caixotes de lixo virados, o ranger do vento nos telhados.
na cidade do sonho não havia sombra. nem havia ninguém.
suave folha caída no outono. doce melancolia do meu vai e vem. azul era o mar e o céu colados junto aos telhados e ao fim das ruelas. azul era o vento que me apercebia e fazia frio. não havia estrelas nem cometas e as portas estavam fechadas. como não havia ninguém não havia janelas.
(in Da Melancolia, p. 19)
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